LEIA SEM MODERAÇÃO

4 de fevereiro de 2010

MAIS UMA "TERÇA INSANA"!


Uma grande expectativa foi criada em torno da volta dos vereadores cascavelenses em 2010, após o período de descanso, que pensávamos que poderia ter servido para ‘arejar mentes’ e repensar atitudes que fizeram a atual legislatura ter sido tão questionada ao longo de 2009. Por ironia do destino, os parlamentares retornaram em meio a uma discussão polêmica, onde a nossa Casa de Leis poderia dar um ‘cala boca’ nos críticos, mostrando que o interesse coletivo sempre falará mais alto que qualquer ‘segunda ou terceira intenção’.
A votação do veto à revogação da Taxa Sinistro em Cascavel poderia ter sido encarada como essa ‘grande oportunidade’, pois os parlamentares reafirmariam suas posições, conforme a votação do dia 15 de dezembro do ano passado, quando por unanimidade derrubaram o tributo, ratificando a decisão da Justiça, que ainda em novembro de 2009, considerou a cobrança ilegal. Porém, seguindo a toada do primeiro ano de legislatura, os vereadores (escolhidos pelos mais de 80 mil contribuintes) decidiram novamente retroceder em uma decisão, provando que os ‘desfazimentos’ de 2009 não foram motivados pela falta de experiência, mas sim por puro despreparo.
Seria injusto esquecer de mencionar o quarteto de vereadores (Leonardo Mion, Julio Cesar Leme da Silva, Nelson Padovani e Otto dos Reis), sem avaliar se acertaram ou erraram. Esses não podem ser jogados numa mesma vala comum, tampouco, como disse um colega de redação, serem colocados em um ‘jazido dourado’, pois nada mais fizeram do que serem coerentes com seus pensamentos, coisa que seus colegas não tiveram capacidade.
Junto ao retorno das sessões, voltaram os discursos demagógicos de outrora, em tentativas de ‘justificar o injustificável’. Teve direito até a escorregadas ‘sinistras’ (com o perdão do trocadilho); vereador dizendo que “um imposto a mais um a menos não faria diferença para o contribuinte que já paga tantos impostos”. E pior, que “os descontentes que procurem seus direitos”, como se o papel da Câmara não fosse também impedir o leso dos cidadãos. Essa ‘pérola’ fez lembrar outro vereador que em 2009 subiu ‘imponente’ à tribuna para dizer que ‘míseros’ R$ 300 (o trezentinho) era um valor pífio para uma diária de um nobre edil. E por fim, outro ‘nobre’ que falou que os parlamentares foram ‘induzidos’ ao erro por um colega, deixando mais dúvidas sobre o conhecimento de cada um dentro do parlamento.
Após grande expectativa, o retorno do Legislativo frustrou aqueles que acreditavam que com o tempo de descanso, lições seriam aprendidas e erros seriam corrigidos. Em virtude de mais um desfazimento, o contribuinte será responsável pelo pagamento de mais de R$ 2,5 milhões para uma corporação que, independente de suas virtudes e importância, é de responsabilidade exclusiva do Estado.
Diante de mais um ‘flashback’ de cenas que vivenciamos ao longo do ano passado, não adiantará o presidente da Casa vir novamente com as desculpas cansativas que o Legislativo recebeu nove ‘estreantes’ sem experiência, pois elas já não colam mais. Se o ano legislativo em Cascavel seguir nesta mesma ‘toada velha cansada’, não se assustem se nossos vereadores tiverem que pagar direitos autorais a alguns humoristas, pois as terças-feiras legislativas passarão a se chamar “Terças Insanas”!


Júlio César Carignano
Editorial Gazeta do Paraná (04-02-10)

27 de janeiro de 2010

BAIXARIA POLARIZADA



Terminamos a semana passada digerindo as sequelas da baixaria protagonizada por dois grupos que monopolizam o poder há quase duas décadas. Acostumados a ditar o tom na democracia representativa, petistas e tucanos quebraram o silêncio e mostraram ao eleitor o que será a campanha eleitoral de outubro próximo, ou seja, um circo de horrores, com direito a ataques gratuitos e maliciosos.
Utilizando-se dos mesmos artifícios, PT e PSDB trataram de dar um viés plebiscitário às eleições, que não passará de uma “grande enquete”, um acerto de contas entre dois governos com muitas similaridades e com discursos que se unem, ainda que ambas as militâncias insistam em dizer o contrário.
Numa tentativa de ficarem alheios ao tiroteio, o presidente Lula (corintiano sofredor) e o governador de São Paulo, José Serra (palmeirense da Moca) trocaram “gracejos”, batendo um papo sobre futebol, numa tentativa de disfarçar o clima ríspido entre as cúpulas partidárias.
A guerra extemporânea entre a oposição e governo tem o objetivo de medir força para ver quem será o próximo grupo que irá conduzir nossos destinos, nessa alternância entre duas siglas campeãs em desqualificar o rival, em fazer o embate pelo embate, mas que encontram dificuldades imensas em pensar um novo modelo de desenvolvimento ao País.
A campanha ficará esvaziada por essa queda de braço, que se resumirá em ambos dizerem o que fizeram e o que os outros deixaram de fazer, em seus respectivos oito anos.
Esse monopólio de poder não passa do fiel retrato de um sistema partidário falido, que tem mais de duas dezenas de siglas, mas, que em virtude do fisiologismo, concentra o poder em duas grandes empresas, que fazem do governo uma peteca a ser jogada pelas mãos de petistas e tucanos.
A crítica não deve se restringir ao PSDB e ao PT, pois os demais são submissos a cargos e projetos pessoais, abdicam de disputas e não passam de balcões de negociata.
O “tucanato” e o “estrelato” são irmãos separados no nascimento, ainda que o PT encha o peito para dizer que é esquerda, acreditando ser ‘revolucionário’, mesmo compactuando com cidadãos como Collor e Sarney, e o PSDB, do alto de seu egocentrismo, acredite ser o supremo arauto da moral e vanguarda da social democracia.
As semelhanças são grandes, o PT foi oposição ferrenha durante oito anos, que tudo sabia e tinha a ‘fórmula mágica da paz’, parafraseando os Racionais. Depois, os tucanos viraram oposição, não tão ferrenha, pois não têm militância e tampouco capacidade para isso. Ambos rechaçaram a corrupção, mas a praticaram, além de prometerem muita coisa que puderam cumprir.
Petistas e tucanos vivem como nos anos 70, quando apenas duas agremiações, Arena e MDB, monopolizavam disputas por um ‘poder falseado’ que era permitido pelos militares. Hoje, eles vivem dentro de seu bipartidarismo fisiológico, do egocentrismo de quem quer sempre ditar o tom do “nosso parlamento às avessas”. Enfim, apesar das origens diferentes, ambos representam a lógica burguesa, ainda que se disfarcem de estadistas. São irmãos que se ofendem, mas que têm características em comum, e, a principal delas é uma sede de poder que beira a loucura.


Júlio César Carignano
Editorial Gazeta do PR (24-01-10)

DESTRO & MENIN – MENIN & DESTRO


Na última terça-feira, durante churrasco regado a cerveja e discursos, na chácara do empresário Moacir Arpine (Cobrão Pneus), o empresário João Destro (JD Home Center) admitiu estar a um passo da candidatura a deputado federal pelo PPS. “Já conversei com a família e estou avaliando esta possibilidade de me desligar dos negócios. Estou com muita vontade. Vamos ver se até a semana que vêm eu posso dizer em definitivo se serei ou não candidato. Tenho ainda que fazer ajustes de ordem particular, mas se for podem ter certeza que irei com tudo”, disse Destro para a alegria de Chico Menin, pré-candidato a deputado estadual e para a cúpula do PPS que não para de ganhar adeptos.

ENCORPADO
A eventual candidatura de Destro a federal deve dar a estrutura que falta a candidatura de Chico Menin para deputado estadual e faz o PPS sonhar com a possibilidade de renascer das cinzas e eleger uma dobradinha puro-sangue em Cascavel. No churrasco de ontem, desfilavam figuras importantes do mundo empresarial e da política. Entre eles, Sergio Terres, Roberto Aoki, Arnold Lamb, o ex-vereador Soni Lorenzi, Jeová Pereira e Bacana, entre outros.

LANÇAMENTO
O PPS realiza no próximo dia 26 de fevereiro, após o carnaval encontro regional para o lançamento das duas candidaturas (Menin e Destro). O evento, deverá contar com a presença de lideranças regionais e inclusive o prefeito de Curitiba Beto Richa, que cogita-se seja o candidato a governador pelo PSDB. Nos bastidores, há quem ateste que a motivação para Destro entrar de corpo e alma na política tem um dedo do prefeito Beto Richa. Um dedo bem escondido para que o deputado Alfredo Kaefer não perceba, dizem os maledicentes.

OPINIÃO - ROTEIRO PARA O AUTORITARISMO


Editorial publicado pelo Estadão de São Paulo, no último dia 10 de janeiro, analisa o Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro - aquele que o presidente Lula jura que assinou sem ler. Como diz aquela velha máxima popular, "escreveu não leu, o pau comeu".


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em dezembro um roteiro para a implantação de um regime autoritário, com redução do papel do Congresso, desqualificação do Poder Judiciário, anulação do direito de propriedade, controle governamental dos meios de comunicação e sujeição da pesquisa científica e tecnológica a critérios e limites ideológicos. Tudo isso está embutido no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), instituído pelo Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro - o tal decreto que, acredite quem quiser, o presidente disse que assinou sem ler. O programa, um calhamaço de 92 páginas, é um assustador arremedo de constituição. Recobre assuntos tão variados quanto a educação, os serviços de saúde, a Justiça, as condições de acesso e de preservação da propriedade, as decisões de plantio dos agricultores, a atividade legislativa, as funções da imprensa e o sentido do desenvolvimento.A apuração das violências cometidas pelos agentes do regime militar e a revogação da Lei da Anistia são apenas uma parte desse programa - a mais divulgada, até agora, por causa da reação dos comandantes militares à redação inicial do decreto. Mas o maior perigo não está nos detalhes, e sim no objetivo geral dessa manobra articulada no Palácio do Planalto: a consolidação de um populismo autoritário sustentado na relação direta entre o chefe do poder e as massas articuladas em sindicatos, comitês e outras organizações "populares".Tal como seu colega Hugo Chávez, o presidente Lula propõe a valorização de instrumentos como "lei de iniciativa popular, referendo, veto popular e plebiscito". É parte do populismo autoritário a conversão de formas excepcionais de consulta em meios normais de legislação. Usurpa-se o poder de legislar sem ter de recorrer a um golpe aberto. Da mesma forma, a multiplicação de "conselhos de direitos humanos", com ação coordenada "nas três esferas da Federação", reproduz a velha ideia de comitês populares tão cara às ditaduras.Consumada a mudança, um juiz não mais poderá simplesmente determinar a reintegração de posse de um imóvel invadido. O governo propõe "institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar". Em outras palavras: esqueça-se a Constituição, negue-se ao juiz o poder de garantir a propriedade e converta-se o invasor em detentor de direitos sobre o imóvel invadido.Combater essa aberração não interessa apenas a fazendeiros e proprietários. A questão essencial não é o conflito entre ruralistas e defensores da reforma agrária a qualquer custo, mas a depreciação da lei e do Judiciário tal como deve operar no Estado de Direito. Nada ficará fora do controle do assembleísmo. É parte do programa "fomentar o debate sobre a expansão de plantios de monoculturas que geram impacto no meio ambiente e na cultura dos povos e comunidades tradicionais, tais como eucalipto, cana-de-açúcar, soja", etc.A criançada ficará sujeita, nas escolas, a uma instrução sobre direitos humanos moldada segundo os interesses do regime e apresentada muito claramente no decreto. O controle sobre as mentes não poderá dispensar o comando dos meios de comunicação. Se as leis propostas forem aprovadas, o governo poderá suspender programações e cassar licenças de rádios e de televisões, quando houver "violações" de direitos humanos. Será criado um ranking nacional de veículos de comunicação, baseado em seu "comprometimento" com os direitos humanos. O governo também deverá incentivar a produção de filmes, vídeos, áudios e similares voltados para a educação sobre direitos humanos e para a reconstrução "da história recente do autoritarismo no Brasil". Será um autoritarismo cuidando da história de outro.As intenções políticas são claras, embora escritas numa linguagem abstrusa. Em todo o texto há expressões do tipo "fortalecimento dos direitos humanos como instrumento transversal das políticas públicas e de interação democrática". Essa patacoada deverá servir de bandeira na campanha da candidata petista à Presidência. Em 2002, esse era o programa do PT. Para se eleger, o candidato Lula teve de renegá-lo em sua "Carta aos brasileiros". Mas não renegou, como se vê mais uma vez, o sonho de "mudar tudo isso que está aí".

26 de janeiro de 2010

PARA QUE NÃO HAJA UMA DITADURA MUNICIPAL



Quando se pode dizer quer há uma ditadura? No momento em que o Executivo legisla e julga. Ou seja, quando decide o que ele mesmo vai fazer e assume também as tarefas da Justiça.
Causou estarrecimento a “eleição” para administrador distrital de São Salvador. A Prefeitura de Cascavel legislou, inventando uma eleição completamente em desacordo com a Lei Orgânica. E, sem a menor participação ou regulação da Justiça Eleitoral, decidiu convocar eleição e contar votos.
Quando se esperava que o bom senso fosse prevalecer e esse equívoco sepultado, mais uma aleijão surge no horizonte. A Lei nº. 5.384, de 18 de dezembro de 2009, publicada quando as crianças começavam a esperar Papai Noel, receberam um embrulho estranhíssimo: a criação do “Conselho Comunitário das Associações de Moradores de Cascavel”.
Na prática, é o seguinte: o Município criou para si próprio, e sob seu controle, um substituto da União Cascavelense das Associações de Moradores (Ucam). Uma espécie de “estatização” da Ucam, como bem definiu o líder comunitário João Luiz de Araújo.
Conselhos municipais devem ser criados – e funcionar, pois sabemos de alguns que são reinos de contos-de-fada – para aconselhar o Executivo e o Legislativo a respeito dos mais diversos setores da administração: saúde, educação, meio ambiente etc. Associações de moradores não são, nem de longe, da alçada do Estado ou da Prefeitura: elas pertencem aos moradores e não podem estar atreladas a prefeito, secretários municipais, vereadores, partidos e candidatos.
Uma entidade de direito privado controlada pela guarda pretoriana do poder é uma entidade morta, sem sentido, pois só faz sentido haver uma associação de moradores para exigir providências e defender os moradores perante as autoridades relapsas.
O malsinado “Conselho Comunitário das Associações de Moradores” é ainda pior do que parece. É a prova cabal da instituição de uma ditadura municipal. É espantoso como os vereadores deixam passar um monstrengo como esse. A prova? Está lá, no artigo 2: a Prefeitura, através do Conselhão, vai gerir até o processo eleitoral das associações de moradores.
Não é assim que a coisa funciona: cada associação de moradores deve cuidar de sua própria composição, sem ter Conselhão oficial regulando seu processo interno. Prefeitura não tem nada que ditar regras sobre como uma entidade de bairro, sindicato ou igreja deve funcionar, nem é TRE para regular processos eleitorais.
Pelo que se vê nessa lei esquisita, o Conselhão será formado não apenas por um representante de cada bairro, mas também por um representante da Prefeitura e outro da Câmara, com seus respectivos suplentes. Por que cargas d’água será preciso tais representantes da Prefeitura e da Câmara? E quem representaria a Câmara, se a tal lei impede que seja membro do Conselho alguém que tenha mandato eletivo?
Cabe cumprimentar a Associação dos Moradores do Parque Habitacional Floresta por entrar com denúncia na 7ª Promotoria de Justiça, propondo a suspensão da lei e a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. A Lei do Conselhão representa uma intervenção indevida nos assuntos internos de entidades particulares, de direito privado, alheias à estrutura de poder municipal.
O presidente da Associação, Isoel Hamud, agiu com um grande espírito comunitário ao se insurgir contra essa coisa estranhíssima, que se pretende fingir de democrática mas é justamente o seu oposto.
Nosso bravo João Luiz questiona:
– Já pensou se a moda pega? Daqui a alguns dias o poder público vai criar mais um conselho: o “Conselho Comunitário dos Sindicatos de Cascavel”, e daí vai querer fazer eleições e dar posse pra todos eles. Onde está a liberdade? Cuspiram, escarraram na Constituição?
Os moradores dos bairros não precisam pedir licença da Prefeitura nem da Câmara de Vereadores para criar suas próprias entidades, geri-las e eleger seus dirigentes. Podem perfeitamente ficar sem esse cabresto imoral.

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Alceu A. Sperança – escritor
alceusperanca@ig.com.br

15 de janeiro de 2010

‘Héróis’ do Grande Irmão




É hoje, a multidão se agita para o tradicional espetáculo que se inicia. A fórmula deu certo, pois passa ano, entra ano, promove uma comoção da multidão que, atualizada, já puxou a “ficha corrida” de todas as feras que serão confinadas numa “jaula de luxo”, em busca de um milhão e meio de verdinhas.
Como grande protagonista e “olho onipresente” está o mesmo personagem há exatos dez anos. Jornalista ‘conceituado’ que todo ano assume o papel de animador de auditório ou domador de leões no circo onde as feras se digladiam para serem a nova celebridade instantânea, que cairá nas graças da multidão de anestesiados a cada paredão.
Assim como em “1984”, de George Orwell, no pano de fundo há o olho totalitário que tudo vê. Nosso Grande Irmão promove uma lavagem cerebral onde a vítima desse programa de condicionamento não é o senhor “Winston Smith”, mas sim os milhões de paralisados pelo festival de intrigas, individualismo, falsos companheirismos, fofocas e corpos torneados.
Celebridades instantâneas são cada vez mais constantes na televisão, vide a Geisy Arruda, trazendo o futuro para o presente e antecipando a previsão de Andy Warhol, de que “no futuro todo mundo terá seus 15 minutos de fama”. O salto do anonimato para o estrelato move esses “abnegados” que comovem a multidão anestesiada, ao derramarem lágrimas frente às câmeras, falando do “estresse” de ficarem enclausurados longe de suas famílias na “prisão de luxo”, das grandes festas e paqueras.
Como de praxe, as chamadas “minorias” sempre estão presentes; não podendo faltar o afro-descendente e aquela pessoa, que decidiu escolher amar aquele do mesmo sexo, e que estão ali para, segundo eles, representarem o grupo ao qual pertencem. Junto a eles, um ou dois senhores (as) de meia idade – que ficarão com os papéis de paizão e mãezona - e mais algumas figuras estereotipadas, como o pseudo-intelectual e os saradões e gostosonas de pouco conteúdo.
Voltando ao animador de palco, que há dez anos repete frases e bordões, fica com ele o papel de comandar a massa vislumbrada com o mundo divino da televisão, que tem em fórmulas, como o Grande Irmão, a salvação da lavoura, sem trocadilho com nenhuma “Fazenda”, nessa verdadeira “guerra santa”, que se tornou a busca pelos picos de audiência.
Todo esse cenário de condicionamento coincide com o ano eleitoral onde a multidão deveria estar acompanhando acontecimentos, o programa de partidos, investigando a vida pregressa de postulantes, daqueles que deveriam ser os verdadeiros “heróis” nessa farsa maquiada, chamada de “democracia representativa”, mesmo que seja para ter a convicção de que nenhum deles presta para si.
Mas como estes “representantes” estão cada vez mais desacreditados e, eles próprios, veem todo esse cenário de forma bem cômoda, resta à multidão anestesiada adotar as celebridades instantâneas como seus “heróis” num País, onde infelizmente, contrariando Bertold Bretch, ainda necessita-se de heróis.


Júlio César Carignano
Editorial Gazeta do Paraná (12-01-10)

7 de janeiro de 2010

ELE É UMA VERGONHA - Caso Boris Casoy


Isto, sim, é uma vergonha!

Diariamente vemos cidadãos que se propagam arautos da moral, batendo no peito e dizendo serem os verdadeiros porta-vozes da liberdade de expressão. Porém grande parte deles esconde dentro de si um ranço muito forte de preconceito de todos os sentidos, seja ele, xenofóbico, homofônico, ideológico ou de classe social.
Mas como o destino é o senhor do tempo e costuma fazer ele próprio sua ‘justiça divina’, algumas máscaras demoram, mas tendem a cair, expondo esse preconceito acentuado, com ataques gratuitos e maliciosos.
Há alguns dias, na virada de ano, alguns foram pegos de surpresa com uma declaração do jornalista Boris Casoy. Numa atitude de total preconceito, o apresentador do Jornal da Band decidiu ‘achovalhar’ a classe dos garis e varredores de rua, representadas numa matéria jornalística por dois trabalhadores que desejavam um feliz 2010 aos telespectadores da renomada emissora.
Para os que não sabem, vale a explicação rápida da ‘gafe do Boris’. Após a vinculação da matéria, enquanto vinhetas eram transmitidas, eis que o nobre apresentador faz o seguinte comentário com sua equipe: “Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala de trabalho!”. A ‘m... de declaração’ virou sucesso na internet e pode ser acompanhada no Youtube.
Também disponível no Youtube, mas sem tanto sucesso, está o dia seguinte, o ‘arrependido’ âncora pedindo uma ‘desculpa técnica’, ressaltando o áudio que vazou, mas não mostrando sinceridade, preferindo citar o fato técnico e esquecendo de reconhecer que foi preconceituoso, resumindo todo o fato como uma mera ‘frase infeliz’.
A declaração de Boris ganhou eco e o apresentador terá que responder pela ofensa. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços e Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), por meio de seu presidente, já avisou que a entidade irá entrar com uma ação civil pública contra o jornalista. O sindicato quer uma retratação na Justiça, uma retratação de verdade, não como a do ‘Boris do dia seguinte’.
Voltando ao terceiro parágrafo, quando é citado que ‘alguns’ se surpreenderam, vale explicar que a ‘infelicidade’ de Boris acaba não surpreendendo uma parcela de profissionais do mesmo meio que o ‘famoso âncora’, pois ela espelha a forma como grande parte da imprensa enxerga tudo ‘do alto de um poliedro social’, desqualificando pessoas, movimentos populares, classes sociais e, nesse caso, classes profissionais.
‘Infelicidade’ é acompanhar alguém que após tentar se imortalizar como ‘justiceiro’, com seus famosos bordões como “Isso é uma vergonha” e “É preciso passar o Brasil a limpo”, mostrar não apenas o seu, mas o lado sujo de uma parcela da mídia que leitores, ouvintes e telespectadores – assim como faz um valoroso gari – devem varrer para bem longe junto com sua ‘mais baixa escala de caráter’.
Assim, cabe a ‘massa pensante’, como sempre alertada por este espaço, depurar tudo que ouve, ‘vê’ e escuta na imprensa. Tanto uma parcela da imprensa como da classe política age como se o povo fosse total e irreversivelmente ignorante, realidade que vem mudando pela própria facilidade de acesso à informação. Nunca, jamais, se deve desprezar a sabedoria popular que, é como a própria Justiça, ‘tarda, mas não falha’!

Júlio César Carignano
Editorial Gazeta do Paraná (07-01-10)

21 de dezembro de 2009

AMAZING GRACE

HISTÓRIA DO AUTOR DO HINO

O hino religioso cristão mais famoso é “Amazing Grace”. Tentando traduzir sem ser ao pé da letra, significa “Graça Divina”.

A música foi composta pelo inglês John Newton em 1779. O compositor nasceu em 1725 em Wapping, na Inglaterra. Na juventude Newton não seguiu qualquer religião, era indisciplinado e não tinha auto-controle.

Após um curto período na Marinha Real, Newton iniciou uma carreira como mercador de escravos. Uma noite porém, durante uma tempestade e com seu navio de escravos sendo jogado pelas ondas, entregou o leme para um marinheiro e desceu um pouco para descansar. Quando voltou ao convés, o marinheiro havia sido levado pela tormenta. Embora tenha pilotado o navio até o fim da tempestade, confessou depois que percebeu sua fragilidade frente aos elementos e concluira que apenas a Graça de Deus o havia salvo.

CAMINHO
Leu a Imitação de Cristo de Tomas de Kempis e iniciou seu caminho na fé. Esses incidentes e seu casamento com Mary Cartlett mudaram Newton de forma significativa. Em suas viagens com cargas de escravos, incentivava os marinheiros a rezarem e a tratar os escravos de forma humana e compassiva. Ainda assim, passaram-se 40 anos até que Newton assumisse uma posição de oposição ao trafico de escravos.

Cerca de três anos após seu casamento, Newton sofreu um derrame que o impediu de voltar ao mar. Com o tempo, ele interpretou isso como mais um passo na sua jornada espiritual. Assumiu um cargo na Alfândega de Liverpool e começou a explorar o Cristianismo mais profundamente. Percebeu então que era chamado para a carreira eclesiástica. Como não tinha um diploma universitário, não podia ser ordenado pastor anglicano pelas vias normais. Mas o responsável pela paróquia de Olney ficou tão impressionado com as cartas que Newton havia escrito que lhe ofereceu a paróquia.

PASTOR
Newton foi ordenado em 1764. Em Olney, o novo pastor conheceu o poeta William Cowper, também um convertido. A amizade dos dois levou à composição de “Amazing Grace”, um poema que Newton provavelmente escreveu em Kineto, no Natal de 1772. A letra é baseada nas suas reflexões sobre o texto do Velho Testamento sobre o qual iria fazer um sermão no dia seguinte. Com a perspectiva de sua conversão no navio, o Greyhound, em 1748.
O hino de Newton tornou-se um favorito para os cristãos, por abordar de forma clara e forte a doutrina da Graça Divina. A letra se baseia na Biblia (Crônicas, 17:16-17), uma oração em que o Rei Davi se maravilha pelo fato de Deus haver escolhido a ele e sua família.

“Amazing Grace” tornou-se também uma favorita dos defensores da liberdade e dos direitos humanos, tanto Cristãos como não-Cristãos, provavelmente por se referir ao fato de Newton haver renegado seu passado de escravagista. Durante a guerra do Vietnam foi muito ouvido e uma das interpretações mais famosas é de Joan Baez, grande opositora da guerra.
Em 2007 foi lançado um filme sobre a extinção da escravatura na Inglaterra, onde o ator Albert Finney representa John Newton e o hino de Newton dá o título ao filme.


20 de novembro de 2009

OPINIÃO - O “EFEITO” BATTISTI


O “EFEITO” BATTISTI

Diante do “imbróglio” Cesare Battisti, impõe – se algumas reflexões sobre as Instituições, o cheirume de suas entranhas e o cerne do seu “julgamento”.
De início, um olhar sobre o STF.
Representando o Poder Judiciário, ao deliberar pela extradição do terrorista, mas abrindo mão da decisão final para a alçada do Executivo, ele desnuda o que o Brasil já sabe, o tripé da Gestão Pública, constituída pelos três poderes da República, é totalmente manco.
Não é a toa que a “preferência nacional” a cada dia está mais grandiloqüente. Ele manda e desmanda e, aparentemente, não há limites para os seus superlativos feitos e incontáveis bazófias.
Assim, decidida a extradição, ao repassar para o Executivo a palavra final, o STF, um poder independente (?), se subordina à decisão de outro Poder. O obtuso magistrado, entretanto, busca, ainda, brechas jurídicas para a libertação de Battisti.
A pretensão soa como um acinte ao deliberado pela Suprema Corte que deveria ser a última instância para o trato do assunto. Chega a ser ofensivo, e mesmo desmoralizante a vil tentativa.
O subterfúgio, de fato, mais parece um jogo de cena para embromar a esquerda agressiva, quando de fato, a metamorfose, para não sujar a sua barra no cenário internacional deverá endossar a extradição.
O Ministro da Justiça, em vias de ser traído por aquele que sempre avalizou suas arbitrárias decisões (os dois cubanos, as ações da PF contra os não – índios, o Battisti...), deverá ter em retorno, a promessa de que o seu guru encimará inúmeras vezes, o seu palanque de candidato ao Governo do Rio Grande do Sul. Será a compensação pelo revés.
Quanto ao Poder Legislativo sua subserviência confirma a regra.
No desvairado Congresso é constante a comprovação da leniência de seus membros. Inventivos, capazes de tudo, eles são useiros e vezeiros em propor tretas de corar frade de pedra. Assim, um energúmeno, membro do Congresso convidou, “vamos fazer uma visita de apoio ao terrorista Battisti na prisão?” A proposta poderia ser vomitada por qualquer um, pois “o homem é uma caixinha de surpresas”.
Até aí, nada demais, a questão é que diversos parlamentares acolhem com grado a esdrúxula idéia, e lá vão eles, alegres e rutilantes, prontos para cumprir mais um deleitoso sacrifício em nome da justiça. Battisti, maravilhado exulta com as adesões à sua soltura, e não tem palavras. É só agradecimentos. Poderia dizer, olhando o passado, "valeu à pena".
Mas a derradeira reflexão refere – se às acusações contra o Battisti. Afinal, foi julgado por assassinar cidadãos italianos? Crimes não ideológicos? Ou ideológicos?
Ah! Se ideológicos, estão justificados? O princípio vale para qualquer ideologia?
Não. Então, só para os de credo marxista?
Agora, entendemos. E viva a justiça dirigida ou a injustiça justificada.
Como diria um cínico bandido “se a justiça prevalecesse, qual seria a graça?”


Brasília, DF, 20 de novembro de 2009
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

14 de novembro de 2009

Exéquias de uma comissão parlamentar de inquérito



O governo, a partir da instalação da CPI da Petrobras, encarregou sua base de apoio de preparar as exéquias desse colegiado. Na prática, o presidente da República assumiu a liderança desse processo. Foi ele quem comandou e orientou o denominado “tratoramento” da comissão. Sem condições de impedi-la, já que o Supremo Tribunal Federal asseguraria à minoria o direito de instalar a CPI, o governo a dominou de forma absoluta, desrespeitando as mais caras tradições do Senado Federal.
Ela foi transformada em palco para narrativas técnicas e conceituais, passando ao largo das denúncias. Em reação, a oposição anunciou, no último dia 10 de novembro, sua retirada definitiva da comissão, sem, no entanto, abdicar do dever de apurar as denúncias que ensejaram a criação da CPI. Nesse sentido, 18 representações estão sendo inicialmente encaminhadas ao Ministério Público, enfeixando uma espécie de relatório final paralelo antecipado da oposição, com o intuito de contribuir para o esclarecimento de pontos tão controvertidos da atual gestão da Petrobras. Prosseguiremos investigando e, dessa forma, mantendo em funcionamento uma “CPI paralela”.
Não podíamos compactuar com nenhuma encenação para abafar irregularidades gravíssimas. Apenas numa das representações apontamos um desfalque de US$2 bilhões, conforme estudo realizado pela assessoria técnica, que estabeleceu um comparativo dos preços das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com os preços das obras do gênero mais caras do mundo.
Estamos igualmente oferecendo representação contra empresas que, mesmo denunciadas pelo Ministério Público, continuam celebrando contratos e se beneficiando de recursos da Petrobras, bem como contra os fatos que envolvem os gastos com a manutenção e recuperação do sistema de produção de óleo e gás natural na Região Norte. Denunciamos ainda, no caso da compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras, violação da Constituição Federal e fortes indícios de improbidade administrativa, sem falar na violação de sigilo funcional.
O rol de ilícitos identificados nos contratos da Petrobras e suas subsidiárias parece infindável. A venda de refinarias para a Bolívia por preço inferior ao valor de mercado é objeto de outra representação junto ao Ministério Público.
A despeito do cenário de tantas ilicitudes, fomos impedidos de ter acesso a documentos, informações, prestações de contas, sem falar na obstrução para convocarmos pessoas para depor à CPI. Até mesmo os envolvidos e indiciados criminalmente no curso da Operação Águas Profundas da Polícia Federal foram blindados pela tropa de choque do governo.
A única alternativa que restou ao DEM e ao PSDB foi abandonar o palco montado para atender os interesses do governo e o seu proselitismo administrativo, na tentativa de ocultar desvios constatados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público.
Na seleção de crimes listados pelo Ministério Público há formação de quadrilha, improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, etc. As condutas criminosas são inúmeras, impondo pesadas lesões ao patrimônio público.
A decisão de acionar o Ministério Público para a instauração dos procedimentos que ensejarão a investigação judiciária necessária já havia sido anunciada por mim antes mesmo da instalação da comissão, prevendo a possibilidade da operação ”abafa”. O compromisso assumido foi cumprido.
As irregularidades são gravíssimas e não podem ser sepultadas com honras fúnebres, como deseja o governo, sob pena de prevalecer o manto da impunidade que protege os desmandos na administração do presidente Lula.


Senador Alvaro Dias – 1º vice- líder do PSDB -13 de novembro de 2009